Gasly: o dia em que o Robin virou Batman

Foto: XPB Images

Ah, fã de Fórmula 1… Domingo foi um daqueles dias em que você parou para pensar o motivo de ainda assistir as corridas sonolentas, a dominância da Mercedes, entre outro fatores que a gente vive reclamando.

2020 está realmente sendo um ano de muitas surpresas. Quando foi a última vez que você viu uma vitória sem ser da Ferrari, Red Bull ou Mercedes? Foi lá em MARÇO DE 2013, Kimi Raikkonen, pela Lotus.

E a última vitória sem ser de uma delas? Provavelmente você nem sem lembra… Era híbrida ainda nem havia começado.

Por isso, recomendo guardar as imagens do pódio desse GP da Itália com muito carinho. Não sabemos quando pode ser o próximo.

Eu tenho o costume de dizer que a sorte é apenas consequência de um trabalho bem feito e consistente. E dessa vez ela resolveu sorrir para um piloto que está trabalhando muito bem em 2020: Pierre Gasly.

Com certeza o “x” dessa questão foi a sorte. Mas com certeza também teve o ótimo trabalho das equipes de “meio de grid”, muitas vezes esquecidas pelo público que gosta apenas de números, estatísticas e fotos no pódio.

Mas, cá entre nós, a gente que acompanha fielmente já sabia que era questão de tempo para Gasly conquistar o segundo pódio da carreira. Acredito que uma das melhores coisas que aconteceu com o piloto foi justamente um de seus piores momentos: o rebaixamento para a equipe satélite.

Era fácil criar coragem de ir para a cima de uma Mercedes em um carro da Red Bull ou da Ferrari no GP Brasil de 2019. Difícil era colocar um carro de meio de grid lado a lado na última reta. Principalmente se você teve um ano terrível e foi contestado por tudo e por todos.

Gasly fez isso, subiu ao pódio e teve a sua redenção documentada em um episódio digno de Hollywood na série da Netflix. Para muitos, ali era o fim dessa história. Arco encerrado. O herói venceu, derrotou o vilão malvado conhecido como Red Bull.

Mas veio 2020 e com ele um desempenho ruim de Alex Albon. Até agora ninguém sabe se é culpa dele ou do carro (eu acredito que seja uma mistura do dois, já que o carro não está lá essas coisas). O fato é: Albon está apanhando muito menos que Gasly. E isso inflamou a torcida para o francês, acompanhada por um bom desempenho na AlphaTauri.

E a Fórmula 1 atual é a das oportunidades. Se aproveitar dos erros dos outros. Eu vivo dizendo: a Mercedes não corre sozinha. E exatamente por isso ela é tão boa. Mas, depois de preferir nãos arriscar na segunda corrida em Silverstone, a galera resolveu se arriscar até demais no Gp de Monza e cometeram um erro ‘fatal’.

Eu fico me perguntando: como pode uma equipe tão experiente não ter visto que o pit estava fechado? Será que foi falha de comunicação da FIA? Será que foi um erro genuíno?

Mas aconteceu, Hamilton foi punido e aí surgiu a chance das equipes do meio mostrarem suas garras. E elas fizeram isso com maestria, abocanhando a chance. Pierre e Carlos pisaram fundo e disputaram como se estivessem lutando pelo título. Foi empolgante e emocionante.

Nem tão empolgante foi a performance de Lance Stroll. E antes que os fãs me ataquem pedras: não estou questionando seu dinheiro ou seu talento, mas especificamente sua corrida em Monza. Na teoria e na prática ele estava com a corrida na mão e tinha o melhor carro dali. Além de ter a vantagem do pit stop na bandeira vermelha.

Mas tudo isso se perdeu durante a relargada. Stroll desperdiçou a chance de ouro. Por isso, a cara nem tão feliz no pódio não é surpreendente. Ele cometeu um erro que lhe custou uma das maiores oportunidades da vida. E falo mais: ficou apático pelo resto da corrida, não conseguindo acompanhar o ritmo de Sainz e Pierre, ficando cerca de três segundos atrás. Mas pelo menos garantiu o pódio.

Carlos mostrou que o sangue do ‘El Matador’, apelido de seu pai, corre forte em sua veias. Manteve um ritmo forte e apertou até o último segundo. Corrida excepcional do espanhol, que mesmo prejudicado pela bandeira vermelha não se deixou abater.

E Gasly a gente não precisa nem comentar, né? Liderou a corrida com maestria e mostrou que não adianta só ter sorte, você precisa mostrar serviço. E a jornada do herói teve sua maior reviravolta assim que a bandeira quadriculada foi agitada.

Um novo arco se abriu. O herói não é mais a pessoa que conseguiu sua redenção e fim. Ele não é mais o cara que você assiste o filme e depois esquece. Ele é o cara que ganha uma revista em quadrinhos só para ele. Ele deixa de ser o Robin e vira o Batman.

Gasly não é mais só o piloto que foi rebaixado e conseguiu o pódio alguns meses depois. Ele é o piloto que ganhou o GP da Itália. Que levou uma AlphaTauri para o topo. E que assumiu o protagonismo mesmo quando todas as fichas foram apostadas em outro.

Não sabemos quando haverá outro pódio assim… Mas eu espero que não demore.

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