A sorte é consequência…

02 de Agosto de 2020.

Um dia que ficará marcado na mente de muita gente. Um GP que ficará marcado. Nós já presenciamos MUITA coisa, desde Senna ganhando na sexta marcha até companheiros de equipe se encontrando na pista e batidas indescritíveis.

Eu AMO corridas imprevisíveis. Atualmente nós costumamos brincar que a Fórmula 1 está muito previsível, que já sabemos quem vai vencer, qual o resultado do pelotão da frente… E realmente, você pode facilmente apostar que a Mercedes estará no pódio. Não existem muitos riscos de você perder seu dinheiro.

Mas 2020 está com um sabor diferente. A Mercedes? Esteve em todos os pódios até agora. Mas isso não impediu que os fãs ficassem eufóricos com as corridas – ok, exceto no GP da Hungria, aquele ali foi bem monótono.

Na Inglaterra, já tivemos um sabor diferente e nem percebemos… A parada antecipada para o pit stop traria consequências. No geral, a corrida deu sono. MUITO sono – pelo menos para essa autora, que virou a madrugada para assistir a Fórmula 3 – e se ela não te deu sono, você provavelmente percebeu que estava entediante.

Hamilton dominando, Bottas atrás sem conseguir encostar, Verstappen estava tão confortável na sua posição que começou a fazer piadas no rádio. E ali todo mundo já estava ciente de que o pódio seria esse mesmo: Hamilton, Bottas e Verstappen. Um GP da Hungria 2.0.

Ahhh, mas como estávamos enganados! Como fomos tolos! Subestimamos Silverstone, os Safety Cars, os pneus Pirelli… Fomos iludidos pelo pensamento que tanto evitamos: o de que a Fórmula 1 atual é a Mercedes correndo sozinha.

Claro, se você for analisar as estatísticas, é praticamente isso. Mas se você prestar bem atenção, é muito mais!

Quando os pneus de Valtteri Bottas não resistiram, a gente tinha a TOTAL certeza de que mesmo assim a Mercedes estaria no pódio, com Lewis Hamilton. Eu, você, a Red Bull, todo mundo tinha essa certeza.

E então, o inesperado acontece… Os pneus de Hamilton vão embora. Ali, todo mundo provavelmente deu um pulo no sofá, na cadeira, ou na cama! Eu sei, eu levantei no susto e comecei a gritar. Seja pra quem você tenha torcido, para Hamilton ou Verstappen, temos que concordar em uma coisa: foi uma situação eletrizante!

A incerteza do pódio, a aproximação de Verstappen, o carro de Hamilton se arrastando nos últimos trechos de pista. Eu confesso que jamais vou esquecer essa cena. E principalmente, vou ficar com o eterno “E SE…” na cabeça.

E se Verstappen não tivesse parado? E se Hamilton não conseguisse levar o carro até o fim? Será que os pneus de Verstappen também não resistiriam?

Mas a sorte e a competência da Mercedes prevaleceram. A sorte é consequência de todo o trabalho incrível que a equipe desenvolve. E o resultado é fruto de uma equipe que corre sozinha só nas estatísticas, não nas pistas. Afinal, a estratégia da Red Bull acabou sendo um dos fatores para a vitória do hexacampeão.

Lewis Hamilton é um piloto fenomenal em um carro praticamente perfeito. Ele mesmo diz que o W11 é o melhor carro que já guiou. A equipe não ganhou a corrida nas voltas finais. A corrida foi ganha bem antes, com a diferença de mais de 20 segundos para o carro da Red Bull.

Não foi um milagre, não foi nada “surreal”. Impressionante, sim! Milgroso? Não. Troque milagroso por competente! A Mercedes garantiu a vitória por pura e simples competência e um pouquinho de sorte. Para mim, um dos momentos mais bonitos dessa temporada, que comprovou a razão pela qual a Mercedes se tornou essa equipe tão dominante.

Essa vitória entrará para a história. O talento de Hamilton e a competência da equipe são uma das maiores duplas do automobilismo. Lógico que a gente reclama da dominância, somos chatos, mas não dá para negar: estamos diante de um trabalho praticamente perfeito.

E a melhor parte de tudo isso? É saber que mesmo os melhores passam por esse friozinho na barriga. É ter a oportunidade de ver toda uma corrida prevísivel quase indo pro brejo. É saber que a Mercedes corre com as outras equipes SIM e por isso eles são tão bons! A Fórmula 1 tem graça até mesmo quando é chata! Silverstone foi a prova disso. E essa temporada promete muitos momentos como esse, jamais subestimem 2020.

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