Vienna espera por você, Vettel

Sebastian Vettel no GP de Singapura 2019

Não, eu não errei o nome da capital austríaca. Vienna nesse texto se refere a uma música do Billy Joel – nota da autora: a minha música favorita de todos os tempos – e eu acho que ela cabe muito bem na situação atual do alemão.

“Vienna” fala sobre como você quer chegar a sua velhice. Você simplesmente quer desistir dos seus objetivos antes de chegar ao meio do caminho? Você tem consciência de que precisa sonhar mas nem sempre seus sonhos vão se realizar? E tá tudo bem perder um dia ou dois, desligar o celular e desaparecer.

Eu quero que você que está lendo esse texto veja Vienna como uma velha senhora, que te espera com um abraço, um cobertor e uma xícara de chocolate quente no dia em que você sentir que cumpriu sua meta. Vienna tem seu lado cruel, onde tudo o que ela te oferece são migalhas do que sobrou dos biscoitos de alguém, mas isso depende de suas decisões durante a vida.

Confesso que o anúncio de que Sebastian Vettel deixaria a Ferrari não me pegou de surpresa. Nem um pouco… Era questão de tempo. E aqui eu não falo somente sobre o desempenho do piloto em 2019. Eu falo de uma história. E toda história tem um final, nada é imortal na vida real (desculpa aí, Sandy & Júnior!)

Por mais que alguns insistissem em dizer que não, eu classifico a saída de Vettel como inevitável. Ia acontecer. E não, não ia ficar para 2021 ou 2022. O ponto final entre Ferrari e Vettel já havia sido colocado e não passou despercebido aos olhos de quem não se deixa iludir por contos de fadas. E digo mais, não havia passado despercebido pelo próprio Sebastian Vettel.

Coloque a culpa em quem você quiser, mas aqui a tentativa não é encontrar culpados. Já tivemos análises demais sobre isso. Prefiro classificar essas culpas em “razões e motivos”. É muito fácil colocar a culpa em alguém (na Ferrari, no Leclerc, no próprio Vettel) e fechar os olhos para o conjunto de razões e motivos que compõem a situação. O objetivo desse texto é fazer com que você pense além das polêmicas do grid.

A Ferrari deu uma chance ao Vettel quando dificultou a renovação do contrato. Não, eu não estou louca. O único cenário que vejo para um 2021 com Sebastian Vettel seria um campeão derrotado. Um fim de carreira lastimável. Sei que muitos de vocês acham que em 2020 ele possa fazer uma boa temporada e se recuperar, mas eu acredito que de 2021 pra cima o clima na Ferrari ficaria tão pesado para ele que a única possibilidade que eu via era a de um campeão saindo de cabeça baixa.

Posso estar errada? Com certeza. Mas sigo firme na minha opinião. Voltemos ao assunto: a nova chance de Vettel. Com certeza ser campeão pela Scuderia era um sonho do piloto alemão. Mas como diz a música: sonhe, mas saiba que alguns sonhos não vão se tornar realidade. Eu admiro o Vettel. Ele não desistiu no meio do caminho. Ele tentou e chegou perto algumas vezes. Mas a vida não é perfeita. E uma hora você tem que abrir mão dos seus sonhos.

Se a decisão de sair foi uni ou bilateral ainda não sabemos, mas gostaria muito que Vettel pudesse ver o que eu vejo. Alguns dizem que a Ferrari “destrói” carreiras. Joga os campeões para o fim do grid… Mas Vettel tem uma chance. Uma boa chance.

Seb tem a chance de terminar sua carreira de um modo limpo e bonito. E eu espero que ele faça isso. Um tetracampeão merece sair de cabeça erguida e uma boa atuação, independente de títulos. Não sei se ele se aposenta em 2020, mas sei que ele não pode, não deve e não merece sair como “coitadinho” ou “grande vilão” e sim como “Sebastian Vettel”.

E quando ele sentir que chega, já deu, hora de abandonar o cockpit, eu espero que ele encontre Vienna. Que a encontre com o cobertor, a xícara de chocolate quente e um bom abraço. E quero que Vienna lhe mostre suas vitórias e derrotas, seus bons e maus dias, seus acertos e erros. E que ele seja visto por ela com todo o orgulho de uma mãe.

Antes de finalizar, gostaria de tocar em um outro assunto: Vettel na McLaren. Não, não vai acontecer. E antes de sair atirando para todos os lados contra o piloto contrato pela equipe, pense além do tetracampeonato de Sebastian. Pense além de um lugar no grid para ele. Pense na McLaren. Pense no plano deles. Vettel não se encaixa. Nem um pouco. Lembrem-se: pilotos não são feitos só de títulos, não são salvadores da pátria e possuem perfis diferentes. Nós precisamos começar a olhar para o perfil do piloto, ou seremos para sempre reféns de números de títulos.

Enfim, espero que Vettel encontre sua Vienna. Seja na Mercedes, seja na Aston Martin ou em seu último ano na Ferrari e acabe com essa história de pilotos sendo jogados para o “fim do grid”. Agora está nas mãos dele. E espero que ele faça o melhor.

Ah, aqui está a música que inspirou esse texto…

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