Sebastian Vettel e o dilema The Clashiano

Querida, você tem que me dizer
Devo ficar ou devo ir?
Se você disser que você é minha
Eu ficarei aqui até o fim dos tempos
Então você tem que me dizer
Devo ficar ou devo ir?

Era para ser só mais um dia indo para casa após um dia de faculdade, o metrô de São Paulo curiosamente mais cheio do que o normal para o horário, “Should I Stay or Should I Go” da banda The Clash gritava nos meus fones de ouvido. Até que em uma parada na estação, um senhor de meia idade adentra o vagão com um boné da Ferrari com um número 5 desenhado.

Eu costumo dizer que todo jornalista é um pouco estranho… E provei da minha própria fala no exato momento em que meu cérebro começou a pensar em um texto que conectasse a situação de Vettel com aquela música que tocava nos meus ouvidos.

E aqui estou eu, me arriscando a falar um pouco sobre um assunto que para alguns já está resolvido, e para outros ainda tem muitas questões a serem respondidas.

Recentemente surgiram informações de jornalistas italianos que afirmam que a Ferrari já estaria indo atrás de Vettel para uma renovação de contrato. Para alguns, a situação é fácil de ser explicada: a Ferrari diz ter desenvolvido o SF1000, carro da temporada 2020, ao estilo de Sebastian, então isso significaria que ele é a grande aposta para o ano e por isso a renovação de contrato seria algo natural.

Bom, eu como fã da Ferrari vejo a questão por outro lado, e sim, eu posso estar errada, mas gostaria de colocar um pouquinho de dúvidas na sua cabeça (ou ao menos tentar).

Vettel está na Ferrari desde 2015, e possui bons números na escuderia italiana, apesar de não ter conquistado títulos mundiais pela equipe. Não se pode dizer que ele não é um piloto competitivo, já que fez boas temporadas, como em 2017. Mas algo aconteceu em 2019 e isso é um fato.

Eu já escutei vários debates sobre os problemas do piloto alemão em 2019: adaptação ao carro, pressão da Ferrari para títulos e o fator Charles Leclerc entre alguns deles.

E nesses dois últimos temas é que eu gostaria de focar, já que meu blog não é muito voltado aos detalhes técnicos. Caso você não saiba, a Ferrari não conquista o campeonato de pilotos desde 2007, quando Kimi Raikkonen garantiu o título para os italianos, tendo como companheiro de equipe o brasileiro Felipe Massa. Também não conquista o campeonato de construtores desde 2008. Por isso, com o peso que a equipe possui na categoria, é certo dizer que há sim pressão para ganhar títulos.

Em 2019 a Ferrari resolveu investir na dupla Vettel-Leclerc, uma combinação muito equilibrada, já que acho interessante misturar os “novatos” com os já experientes. A Ferrari teve problemas técnicos e estratégicos? Sim. Mas o alemão também teve suas batalhas contra si mesmo.

Vettel não foi perdoado pela imprensa, afinal ele é um tetracampeão mundial e alguns erros são considerados “absurdos”. Eu deposito alguns desses erros na conta de Charles Leclerc. O novo queridinho dos italianos queira ou não queira colocou pressão no companheiro de equipe, e ficou claro na segunda metade da temporada que, pelo menos dentro da pista, Sebastian estava incomodado.

Desde o undercut ocorrido em Singapura (quando Vettel ultrapassou Leclerc durante uma parada de boxes), que Mattia Binotto admitiu ter sido uma estratégia para “beneficiar” Vettel e aumentar sua confiança, foi perceptível a tensão que se formava entre os companheiros de equipe. O apogeu da disputa aconteceu no Grande Prêmio do Brasil, quando os dois pilotos colidiram. Apesar de Binotto garantir que os pilotos haviam se entendido após o incidente, na qualificação da última corrida, em Abu Dhabi, ainda houve um pequeno momento de tensão.

Mattia Binotto já declarou que Vettel é uma “peça central” para o projeto da Ferrari, e acredito que a escuderia queira verdadeiramente renovar com o quatro vezes campeão mundial. Mas essa é uma decisão bilateral. E é aí que entra o dilema “The Clashiano”. A Ferrari fechou um contrato de 4 anos com Leclerc, algo que mostra que o monegasco será o investimento da escuderia nos próximos campeonatos, mesmo que Vettel ainda seja o privilégio em 2020.

Ou seja, acredito que Vettel está no famoso “vai-não-vai”. Não espero uma assinatura de contrato no começo desse ano, como ocorreu com Charles. Diria que só teremos alguma notícia sobre isso para meados de junho. Afinal, se Vettel não conseguir bons resultados em 2020, ele ficará com algumas opções:

  • continuar na Ferrari, que tem um piloto novo, com ar de campeão e que muito provavelmente será o investimento nos próximos anos e ser um escudeiro;
  • sair da Ferrari e tentar novos ares em alguma outra equipe em 2021 (a entrada da Aston Martin pode ser uma opção para o piloto);
  • encontrar equilíbrio com Leclerc e permanecer na Ferrari, mas sem causar os problemas que ocorreram em 2019;
  • se aposentar (acho essa a mais improvável).

Portanto, cabe a Sebastian Vettel observar o que a Ferrari propõe para os próximos anos e decidir se deve ir ou ficar. Afinal, se ele sair pode ser um problema e se ele ficar pode ser uma dupla incrível ou um problema duplo. A temporada desse ano há de nos contar qual a resposta dessa questão nem um pouco musicalmente harmoniosa.

Mas afinal, essa é só mais uma daquelas reflexões que acontecem entre uma estação de metrô e outra, talvez ela seja somente mais uma ideia louca de uma jornalista em formação.

Devo ficar ou devo ir agora?
Devo ficar ou devo ir agora?
Se eu for, haverá problemas
E se eu ficar, haverá o dobro

3 comentários em “Sebastian Vettel e o dilema The Clashiano

  1. Vettel é um piloto que coloca uma pressão em sí, isso devido a uma confiança nele mesmo, coisa que era perceptível desde sua parceria com Webber. Ele terá até a pausa de meio de ano para mostrar serviço e caso não consiga fica complicado se manter não só na Ferrari, como em uma equipe competitiva. Talento ele tem, falta paciência.

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  2. Uma pequena correção, a Ferrari foi campeã de construtores em 2008!
    Vejo uma galera falando por agora que o Vettel começou a ir mal só em 2018, eu lembro muto bem do monte de besteiras que ele fez em 2016 e 2017, a verdade é que o Vettel deu uma certa sorte com a morte do Marchionne(sim, eu sei que isso é bem pesado), pois em 2017 ele já tava reclamando publicamente do Vettel, provavelmente teria sido demitido da equipe antes do Arrivabene, pois o próprio Marchionne que fez esse contrato do Leclerc que ninguém conseguiu quebrar dps(hj em dia ninguém liga mais, mas rolaram muitas discussões e declarações publicas de que queriam manter o Kimi lá para continuar com a estabilidade da equipe).
    Eu não sou muito chegado no Vettel, então gostaria que ele continuasse na equipe, eu gostaria que Vettel provasse se é realmente esse grande piloto que muita gente fala, essa parada de empilhar títulos com Mark Weber, falar que o carro não era competitivo pq o seu companheiro era o Kimi, que não queria nada com nada e ao mesmo tempo perder para os novatos na equipe(Ricciardo e Leclerc) me incomoda bastante.

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