Se você assiste Fórmula 1 com certeza já ouviu a frase “Mas a Fórmula 1 morreu em 1994”.
Se você assiste Fórmula 1 e é jovem, além da sentença acima escutou essa daqui também: “é esporte de velho”.
Essas duas frases perseguem a autora que vos escreve. Por isso, nesse texto quero falar um pouco do crescimento da categoria aqui no Brasil, principalmente entre a minha geração. Afinal, o público de hoje em dia não fica mais parado na frente da televisão.
Minha análise começa pela Red Bull, talvez uma das pioneiras em conteúdo para redes sociais. Afinal, eles precisam divulgar seu produto (o energético, no caso). Garimpando pelos canais das equipes no YouTube é possível encontrar vídeos antigos de explicação de pistas, eventos, algumas entrevistas… Mas o que me chama a atenção é que, enquanto a McLaren postava vídeos de Lewis Hamilton fazendo voltas rápidas, a Red Bull mostrava Sebastian Vettel cuidando de ovelhas…
Você pode até achar um conteúdo inútil, mas eu (e os estrategistas de marketing) tenho uma opinião diferente. Minha geração gosta de pessoas reais, temos necessidade de nos conectarmos emocionalmente aos outros e isso se expande ao esporte. A Red Bull nos deixou mais próximos de seus pilotos e da equipe ao mostrar o lado divertido, humano, a outra face de um esporte onde tudo é tratado com muita seriedade.
O conteúdo “engraçado” deu certo e alcançou novos patamares com a dupla Daniel Ricciardo e Max Verstappen. Dois pilotos carismáticos, que causavam alvoroço dentro e fora da pista. A amizade da dupla deu tão certo fora das pistas que a equipe investiu em uma série de vídeos: os “On The Sofa”, onde Max e Daniel ficavam cerca de 30 minutos refletindo sobre o ano, os pontos altos e baixos da temporada, fazendo com que o público se sentisse dentro da conversa dos dois.
Com a saída de Daniel Ricciardo em 2019 os vídeos continuaram, mas um pouco do carisma foi perdido, já que Pierre Gasly e Alexander Albon são pilotos mais retraídos. E é aí que entra a McLaren.
Atualmente, não há no grid dupla mais carismática do que Carlos Sainz e Lando Norris. A amizade dos dois é algo incomum de se ver em um esporte onde seu companheiro de equipe pode ser seu pior inimigo. E a McLaren se aproveita desse ambiente da melhor maneira possível.
Zak Brown, atual diretor da equipe, já comentou que a Fórmula 1 precisa se adaptar, deixar o público se aproximar, se sentir parte do circo. E a equipe inglesa com certeza está liderando nesse quesito. Em seu canal do YouTube há vídeos que mostram seus pilotos realizando jogos divertidos e os famosos “Unboxed” onde temos acesso aos bastidores das corridas e até mesmo da rotina da fábrica, em Woking, na Inglaterra.
Se você segue a McLaren nas redes sociais com certeza está acompanhando de perto a produção do MCL35, o carro da temporada 2020. E, eu não sei quanto a você, mas meus olhos brilham a cada nova foto ou vídeo dos mecânicos trabalhando.
Além disso, Carlos e Lando são extremamente ativos nas redes sociais. O piloto mais novo inclusive é famoso por transmitir partidas de jogos virtuais, às vezes até mesmo convidando Max Verstappen para participar, atingindo um público jovem, que se sente extremamente por dentro de tudo.
Para mim, Lando representa a nova geração na Fórmula 1. Temos pilotos de idades parecidas, mas talvez nenhum seja tão ativo e tão atraente comercialmente quanto a marca Lando Norris, que está conseguindo um público enorme, mesmo com um desempenho mediano nas pistas.
Enfim, todo esse conteúdo que mistura detalhes técnicos e pilotos “gente como a gente” é a receita perfeita para atrair os jovens para o esporte “de velho”. E como isso se refletiu no Brasil?
É só dar uma olhada no Twitter: a quantidade de páginas de humor sobre o esporte disparou nos últimos dois anos e a maioria delas é administrada por pessoas com menos de 25 anos; Interlagos bateu recorde de público em 2019 e alguns frequentadores assíduos das corridas comentavam que havia muito mais jovens nas arquibancadas.
A Fórmula 1, que estava em baixa pela falta de pilotos brasileiros, falta de divulgação e um certo desinteresse do público jovem por um esporte extremamente saudosista no país, encontrou um novo gás nas redes sociais. Claro, existem outros fatores, como as mudanças que Liberty Media fez nas transmissões e organização e a série “Drive To Survive” da Netflix, mas talvez a entrada de pilotos jovens e toda a dinâmica de proximidade sejam realmente o que causa mais impacto no público brasileiro.
Eu simplesmente sou apaixonada pela proximidade com os pilotos, de poder saber que atrás daquele capacete tem um ser humano, que se diverte, chora, erra, sendo ele do meu país ou não. Também sou apaixonada por saber cada detalhe dos bastidores. Esses elementos tornam minha experiência mais emocionante durante uma corrida. E acredito que me incentivam ainda mais a pesquisar e entender o esporte.
Em resumo, a Fórmula 1 está muito viva no coração dos brasileiros, e principalmente, no coração dos jovens brasileiros. Nós gostamos dos motores? Dos detalhes técnicos? De saber mais sobre aerodinâmica? Claro! Mas nós também gostamos de nos identificar com os pilotos. E esse é o futuro, com cada vez mais equipes investindo no público jovem, sem esquecer de seu fiel público antigo.
Muito Bom
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Texto bem legal Ana, parabéns. O impacto de Drive To Survive aqui no Brasil, é bem grande, não só para trazer os jovens para a categoria, mas também para trazer de volta a quele publico q tinha para do de acompanhar o que vejo de gente dizendo q esta acompanhando a F1 por causa de Drive To Survive. sobre o Lando Norris, eu acho bem legal o fato de ele fazer Steam jogando os jogos q a gente também jogo, isso realmente aproxima bastante o Publico.
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